Encantamento
Tenho observado, com grande deleite devo confessar, que as pessoas quando vêem uma foto minha com o arco ou sabem que sou arqueiro ou, ainda mais intensamente, quando vêem um arco pessoalmente, ficam profundamente curiosas e encantadas com o fato.
É como se de repente uma porta pra alguma coisa mágica e diferente fosse aberta. Talvez venha à mente idéias e imagens de outros tempos (algo como "O que alguém faz em pleno século XXI com um arco na mão?"). Seja como for, ninguém fica indiferente.
As pessoas se agrupam ao redor de quem segura um arco - algumas tentam tocá-lo, puxar a corda, outras mantém uma reverente distância. Mas em todos os rostos, algo brilha e os sorrisos fluem tão abertamente quanto as perguntas.
Alguns objetos (arcos, espadas e etc) parecem mesmo agrupar ao redor de si tamanha quantidade de símbolos e associações que mesmo sem ser jungiano há que se desconfiar da existência de arquétipos e inconsciente coletivo!
Da minha parte, acho isso delicioso.
Nunca tinha visto tal reação.
O arco está associado a tantas coisas - indo desde os primórdios da civilização humana, há cerca de 35 mil anos passando por deuses luminosos como Apolo e Krishna, por foras-da-lei como Robin Hood, chegando aos nossos dias onde o arco se tornou uma peça altamente sofisticada de tecnologia. Ao mesmo tempo, tudo nele é muito sensual - conectado ao aqui e agora: peso, tensão da corda, postura, concentração. O arco encanta aos sentidos - mas também aponta para objetivos mais além do imediato. O próprio ato de disparar uma flecha e acertar o alvo já foi usado diversas vezes como metáfora para o crescimento interior.
Existe uma "gravidade semântica" ao redor do arco que é difícil negar.
E entramos em contato com ela toda vez que, encarando um alvo, disparamos.
O que se atinge, seguramente, é muito mais...
É encantamento!

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