Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

A barreira dos 500 (ou "O longo caminho de volta")

Por diversos motivos meu ritmo de treinos foi quebrado - ao mesmo tempo, tentando contrariar os decretos do destino, decidi me impor e voltar a treinar. O resultado, como seria de se esperar, foi alguns dias de treino, meses parado de novo.

Impressionante como nossa natureza sempre procura o caminho do menor esforço e menor resistência!

Aconteceu de tudo nesse período.

Troca de casa, troca de emprego...
Com isso, o stand que antes ficava a 10 minutos de casa, mudou para 30 minutos de casa - algo como uns 20 ou 30km a mais. Isso não parece muito, mas quando se trabalha há 80km de casa e se gasta mais ou menos 1h30min pra fazer esse percurso, isso começa a ganhar peso...

Cheguei até mesmo a voltar pro Aikido - só porque era perto de casa. Mas isso era voltar pra uma filosofia e estilo de vida que eu simplesmente não consigo mais suportar... Não que haja qualquer coisa de errado com as práticas e filosofias envolvidas - mas simplesmente pra mim, um caminho oriental não funciona mais. E não ser autêntico tem sempre seu preço - que aparece como mau-humor, insatisfação, insônia etc.

Se não bastasse isso, meu joelho começou a doer e tornando muito difícil certos movimentos (às vezes, até mesmo andar muito o afeta).

Depois de um grande conflito interno - onde o pragmático (aikido= mais perto, mais barato, mais cedo) lutava com o coração (arco...) - acabei sendo fiel ao que achava mais próximo da minha natureza, minha visão do mundo e do prazer que a própria atividade proporcionava: o caminho do arco foi o escolhido.

Assim, literalmente, o longo caminho de volta está sendo trilhado.

Voltei alguns passos.
Não estou usando mais o clicker, porque ainda preciso voltar à velha forma.
Meus tiros ainda estão dispersos e instáveis entre um round e outro.
Velhos vícios voltaram - mas outros foram corrigidos.
Mudei de categoria - agora passei à aspirante.
Tenho meu próprio arco.
Aumentei a potência.

Mas... não consigo superar a barreira dos 500-520 pontos!
Foi exatamente aí onde tinha parado, quando comecei a usar o clicker...
Uma parte minha entende que é questão de tempo e treino.
Outra, não se conforma muito...

Espero agora, nos próximos dias até o final de dezembro voltar a atirar com um ritmo mais constante - pelo menos 3x por semana.

E em 2007 partir para o campeonato paulista e o brasileiro.

Mas mais do que isso, voltar a atirar...
Ainda tem muito o que vencer e superar em mim.

O Caminho do Arco

Você chega ao stand de tiro.
Já pode ouvir o som dos disparos, as flechas atingindo o alvo.
Em linha, outros arqueiros assumem a postura, se concentram - perdidos em suas técnicas e roteiros pessoais de como efetuar o melhor disparo.

Você entra e começa a se preparar.
Pega seu arco - se ajoelha, abre a caixa. Dentro dela, um conjunto de peças - mas que em breve irão se tornar um veículo para sua busca de perfeição, harmonia, beleza e técnica.
Uma mistura de máquina, laboratório de física, arma e objeto de arte.
Alinhados atrás de você, uma infinitude de outros arqueiros, numa linha que se estende aos primórdios da civilização humana.

Com profundo respeito, quase devoção, você monta seu arco.
Se prepara.
Entra na linha de tiro.

Alguns disparos, o corpo lentamente se lembrando, se ajustando.
Ajuste de mira.
Novos tiros.
As flechas se agrupam.

Você pode focar sua mente nos aspectos práticos à sua frente: melhorar a técnica, corrigir um detalhe da largada, aumentar seus pontos.

Ou você pode ampliar sua visão - o treino constante com o Arco irá lhe trazer um equílibrio entre mente e corpo, aumentar a harmonia, equilíbrio, concentração. Você sente como os sentidos se deleitam com os sons, as posturas, a tensão dos músculos.

Tudo que você precisa e é está aqui, refletido num único disparo - feito com seu corpo, mente e coração.

Uma flecha - uma vida.

Este é o Caminho do Arco.